Mapa e CNA promovem Diálogo com Adidos Agrícolas e apoiam a ampliação de postos no exterior

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Brasília  – Os produtores brasileiros estão dispostos a ampliar a produção agropecuária para ajudar a alimentar, nos próximos anos, uma população mundial de nove bilhões de pessoas. E, neste contexto, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pode colaborar: “é a nossa vocação”. Assim, o vice-presidente diretor da CNA, José Ramos Torres de Melo Filho, iniciou o evento “Agronegócio Internacional: Diálogo com Adidos Agrícolas”.

O objetivo do encontro – uma parceria da CNA, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) – foi de promover o diálogo com os profissionais que exerceram a função de adido agrícola, entre 2010 e 2014, na União Europeia, Rússia, Estados Unidos, Japão, África do Sul, Argentina e na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Marcelo Junqueira; o ministro Orlando Leite Ribeiro, chefe da Divisão de Agricultura e Produtos de Base do MRE; o diretor de Negociações Internacionais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Márcio Lima, e especialistas das superintendências de Relações Internacionais (SRI) e Técnica (SUT), ambas da CNA, também participaram do encontro.

Junqueira relatou o trabalho dos adidos, que tiveram que lidar com temas gerais e com questões intrínsecas de cada país. “Todos têm uma característica comum, que é o princípio de defender os interesses brasileiros”, afirmou. Anunciou, ainda, a intenção do governo de ampliar postos de adidos agrícolas para outros mercados estratégicos. Além disso, destacou a necessidade de elevar a importância dos assuntos agropecuários no MRE. Salientou que, no Itamaraty, a agricultura é tratada por uma divisão, o que não reflete a grandeza do setor para a economia e o comércio exterior do Brasil.

Representantes do governo e da iniciativa privada foram unânimes em defender a importância da atuação dos adidos. Reconheceram que eles são fundamentais para negociar a redução de barreiras sanitárias e fitossanitárias, além de monitorar práticas desleais de comércio e promover os produtos agropecuários brasileiros.

Tatiana Palermo, superintendente de Relações Internacionais, elogiou o trabalho dos adidos e ressaltou o papel da agropecuária brasileira. “É o setor mais representativo da nossa economia; é o motor do crescimento”, afirmou.

Odilson Silva, adido agrícola na UE nos últimos quatro anos, reconheceu que, ainda, existem várias restrições desleais impostas aos produtos brasileiros. Enfatizou, entretanto, que “sempre há espaço para negociação e cooperação”, por se tratar do bloco que é o principal destino das exportações de bens agropecuários do Brasil.

Rinaldo Junqueira, que atuou em Moscou nos últimos quatro anos, citou o potencial do mercado russo. Ele lembrou que a meta do governo local é produzir 85% da sua demanda por alimentos. O restante, 15%, continuará sendo importado, o que, segundo ele, é uma oportunidade para o Brasil. O país tem sido o principal exportador de carne para Moscou ao longo dos últimos anos, ultrapassando os países europeus e os Estados Unidos. Para Rinaldo, há perspectivas para o crescimento do comércio de frutas e castanhas.

O adido nos EUA, Horrys Fraiaça, relatou as principais conquistas nas negociações sanitárias com o país norte-americano. Destacou a aceitação do princípio de regionalização na liberação da carne suína, proveniente de Santa Catarina. A nova Lei Agrícola americana, aprovada em 2014, também esteve no radar do adido. O Brasil tem especial interesse pelo tema, porque políticas distorcivas podem comprometer o desempenho das exportações de soja, milho e algodão. “Estamos monitorando os efeitos das políticas e vamos usar os mecanismos da OMC (Organização Mundial do Comércio) para questionar os subsídios”, afirmou Palermo.

Sobre a OMC e seus comitês consultivos e de monitoramento, a apresentação foi do adido Guilherme Costa. Em julho, Guilherme elegeu-se vice-presidente do CODEX Alimentarius, órgão do sistema Organização das Nações Unidas (ONU), que define padrões harmonizados para a segurança dos alimentos. Foi uma grande vitória do Brasil que, pela primeira vez, compõe a diretoria da organização.

Em relação ao mercado japonês, o adido Gutemberg Barone informou que, entre 2010 e 2013, as exportações de produtos agrícolas do Brasil para o Japão cresceram 40,56%, chegando ao valor equivalente a US$ 4,02 bilhões. Destacou, ainda, as gestões bem sucedidas na abertura do mercado para a carne suína brasileira e na solução do problema de resíduos no café. O próximo passo é a esperada retirada do embargo à carne bovina e as negociações de protocolos para exportação de melões e frutas cítricas.

Gilmar Henz contou a experiência vivida na África do Sul. Principal economia do continente, o país exporta um bilhão de euros em frutas cítricas para a Europa por ano. Do Brasil, compra carne de frango, açúcar, trigo, fumo, carne de peru, arroz e óleo de soja. Um dos entraves superados foi a eliminação da medida antidumping para a carne de frango brasileira no final de 2012. Antes da medida, o Brasil chegou a abastecer 70% do mercado sul-africano de carne de frango.

O cenário das relações comerciais entre Brasil e Argentina foi apresentado por ‘, que serviu em Buenos Aires. Citou a queda na exportação de carne suína e as dificuldades comerciais devido à obrigatoriedade de licenças prévias para importação. Lembrou que os argentinos, por sua vez, pedem que o Brasil libere a importação de cítricos, camarões, pêssegos e leite.

Em continuidade ao trabalho desenvolvido, os novos adidos devem assumir seus postos no exterior ainda neste ano.

Fonte: CNA

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