Funcex: perspectivas das exportações brasileiras em 2010

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As últimas projeções do FMI1 indicam que o PIB mundial deverá crescer cerca de 4% no ano, puxado principalmente pelos países em desenvolvimento (alta projetada de cerca de 6%), o que compensará a lenta recuperação dos países centrais (crescimento de apenas 2%). Este desempenho se refletirá no comércio mundial, cujo volume deve crescer em torno de 6%, também segundo o FMI.

Com efeito, os números referentes aos 16 principais destinos das exportações brasileiras (considerando a União Européia como um único “país”), e que compõem o índice de demanda externa efetiva calculado pela Funcex, mostram uma expressiva recuperação dos fluxos de comércio apartir do final de 2009.

Considerando-se os três meses entre novembro de 2009 e janeiro de 2010, a média ponderada das importações desses países cresceu 8,2% em comparação com o período novembro de 2008 a janeiro de 2009, o que contrasta com a queda de 27,2% registrada no período janeiro-outubro de 2009 comparativamente ao mesmo período do ano anterior.

Ainda é cedo, porém, para afirmar que o comércio mundial já superou definitivamente os efeitos da crise. Primeiro, porque a recuperação recente se deu sobre uma base de comparação muito baixa, que foi justamente o período mais grave da crise, e o índice de demanda externa ainda permanece bem abaixo dos níveis alcançados em 2008.

Segundo, porque a recuperação não vem ocorrendo de maneira uniforme entre os diversos países. Observa-se, por exemplo, um forte crescimento das importações de diversos países asiáticos, como China e Coréia do Sul, e uma recuperação mais lenta nos países ricos, até mesmo com variações negativas em países como Canadá e Japão.

Na América Latina, o desempenho é mais positivo no Chile, no México e no Peru e mais fraco na Argentina, na Venezuela e no Uruguai. Ou seja, embora não haja dúvidas de que o comércio mundial irá crescer em 2010, ainda paira grande incerteza sobre a intensidade e a sustentabilidade desta recuperação. Vale lembrar que a queda do comércio mundial atingiu 12% em volume e, portanto, o crescimento previsto para este ano não será suficiente para recuperar os níveis pré-crise.

Um aspecto que deverá ajudar o desempenho exportador do país em 2010 é, mais uma vez, a alta dos preços. Estes estão em trajetória contínua de recuperação desde maio do ano passado, de forma que, até fevereiro último, o índice de preço das exportações brasileiras acumulou ganho de 16,8%. Caso este índice permaneça durante todo o ano no mesmo patamar registrado em fevereiro, o que hoje pode ser considerada uma hipótese conservadora, o país teria um ganho de preços no ano da ordem de 10%.

Os grandes óbices ao desempenho exportador do país estão, mais uma vez, nos fatores domésticos, quais sejam, o câmbio sobrevalorizado e a rápida recuperação da demanda doméstica. Historicamente, o quantum de exportações do país cresce a taxas bem menores em momentos marcados pela combinação destes dois fatores. Foi o que ocorreu, por exemplo, no triênio 2006-2008, quando a alta do quantum limitou-se a 2,1% a.a., em contraste com 11,5% a.a. registrado no período 1999-2005, marcado por câmbio desvalorizado e baixo crescimento doméstico.

Sendo assim, é improvável que o quantum de exportações do país tenha crescimento maior do que o volume do comércio mundial, podendo-se esperar uma variação ligeiramente inferior − digamos, 4% a 5%. Com uma alta de preços de 10%, é possível acreditar em um crescimento do valor exportado no ano da ordem de 15%, com viés negativo, em virtude das grandes incertezas que ainda pairam sobre a economia mundial. Isso levaria as exportações do país a alcançar o montante de US$ 176 bilhões.

Fonte: FUNCEX

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