Exportações do agronegócio registram queda de 5,1% em maio e totalizam US$ 9,66 bilhões

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Por Marcos Fava Neves e Rafael Bordonal Kalaki (*)

Após um março com melhora no desempenho das exportações do agro e de um abril estabilizado, em maio as exportações tiveram uma pequena piora no desempenho em relação a maio de 2013. As exportações (US$ 9,66 bilhões) se comparadas com o mesmo período de 2013 (US$ 10,18 bilhões), diminuíram 5,1%. O saldo na balança do agro de maio foi de US$ 8,24 bilhões, uma diminuição de 6,9% em relação a maio de 2013, o que teve a contribuição das importações do agro que aumentaram 6,8% no mês.

O valor exportado acumulado no ano (US$ 39,5 bilhões) por sua vez teve queda de 2,2% quando comparado com o mesmo período de 2013 (US$ 40,4 bilhões). O saldo positivo acumulado no ano foi de US$ 32,4 bilhões (2,9% menor que o mesmo período em 2013). Se continuarmos nesse ritmo, fecharíamos 2014 com um montante de apenas US$ 95 bi, porém cabe ter a esperança que o acumulado de janeiro-maio de 2013 tivemos uma exportação de US$ 40,4 bilhões e fechamos 2013 com a cifra de US$ 99,9 bilhões.

Os demais produtos brasileiros fora do agro tiveram uma queda de 4,7% nas exportações (US$ 11,7 bilhões em 2013, para US$ 11,1 bilhões em 2014), o que levou a participação do agronegócio nas exportações brasileiras manter os mesmo patamares que em 2013, chegando ao valor de 46,5% em relação as exportações totais do Brasil, ou seja, o agro foi responsável por quase metade de tudo que o Brasil exportou.

O saldo da balança comercial brasileira ficou baixo, com um superávit de apenas US$ 712 milhões no mês de maio, porém no acumulado do ano teve um grave déficit de US$ 4,85 bilhões. Se não fosse o agronegócio, a balança comercial brasileira teria um déficit de US$ 37,2 bilhões acumulados no ano, ou seja, mais uma vez o agro evitou um desastre maior na economia brasileira.

Neste maio, os dez campeões no aumento das exportações em relação a 2013 foram respectivamente: café verde (aumentou US$ 105,9 milhões em relação a maio de 2013), farelo de soja (US$ 93,4 milhões), carne bovina in natura (US$ 84,2 mi), celulose (US$ 36,0 milhões), arroz (US$ 24,8 milhões), couros/peles bovinos preparados (US$ 18,0 milhões), leite em pó (US$ 17,6 milhões), outros couros/peles bovinos curtidos (US$ 16,0 milhões), algodão não cardado nem penteado (US$ 10,5 milhões) e mel natural (US$ 7,9 milhões). Estes dez produtos juntos foram responsáveis por um aumento de aproximadamente US$ 414,4 milhões nas exportações do agro de maio.

A variação dos preços médios (US$/tonelada) foram as seguintes: mel natural (20,9%), outros couros/peles bovinos curtidos (20,7%), farelo de soja (11,2%), couros/peles bovinos preparados (9,0%), café verde (8,0%), carne bovina in natura (7,5%), algodão não cardado nem penteado (1,6%), leite em pó (-2,6%), celulose (-6,5%) e arroz (-19,8).

Os dez principais produtos que comparativamente a maio de 2013 diminuíram as exportações e contribuíram negativamente para a meta foram: soja em grãos (queda de US$ 286,4 milhões), fumo não manufaturado (US$ 168,3 milhões), açúcar de cana em bruto (US$ 162,6 milhões), açúcar refinado (US$ 102,3 milhões), carne de frango in natura (US$ 66,6 milhões), suco de laranja (US$ 64,2 milhões), milho (US$ 49,4 milhões), óleo de soja em bruto (US$ 27,7 milhões), preparações para elaboração de bebidas (US$ 18,6 milhões) e café solúvel (US$ 10,1 milhões). Juntos estes produtos contribuíram para a redução nas exportações na ordem de US$ 956,2 milhões.

No cenário dos mercados de destino dos produtos do agro brasileiro, os países que mais cresceram suas importações foram: Estados Unidos (US$ 143,6 milhões a mais que em maio de 2013), Alemanha (US$ 112,3 milhões), Turquia (US$ 92,9 milhões), Venezuela (US$ 89,3 milhões), Espanha (US$ 81,6 milhões), Coréia do Sul (US$ 56,1 milhões), Tailândia (US$ 49,4 milhões) e Itália (US$ 45,3 milhões).

O Brasil também perdeu vendas em alguns mercados, com destaque para China (US$ 540,6 milhões a menos que em maio de 2013), Países Baixos (US$ 215,3 milhões), Bélgica (US$ 81,7 milhões), Taiwan (US$ 67,7 milhões), e Irã (US$ 65,9 milhões).

Até este momento de 2014, o desempenho das exportações do agro não mostra sinais de crescimento em relação a 2013. Neste maio, viu-se a queda nas importações dos principais países importadores do Brasil em termos de importância financeira, principalmente da China que diminuiu suas importações em aproximadamente US$ 500 milhões em relação a 2013. Mesmo assim, neste mês alguns dos países importantes para o Brasil aumentaram suas importações, como os Estados Unidos.

Estamos esperançosos aguardando melhora nos preços de alguns dos principais produtos da pauta e no aumento dos volumes exportados, bem como na recuperação da China nas importações brasileiras. Somado a isso, ainda temos grãos armazenados, a safra de cana de açúcar já começou e temos um dólar no patamar dos R$ 2,30. Ainda dá para chegar nos US$ 100 bilhões.

*Marcos Fava Neves é professor titular de planejamento estratégico e cadeias alimentares da FEA-RP/USP. Autor de 45 livros publicados em oito países. Foi professor visitante da Purdue University (Indiana, EUA) em 2013.

*Rafael Bordonal Kalaki é Engenheiro Agrônomo e Mestrando em Administração na FEA/USP, pesquisador Markestrat.

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