Deficit comercial com EUA em seis meses supera saldo negativo registrado em todo o ano de 2012

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Da Redação

Brasília – O deficit do Brasil no comércio bilateral com os Estados Unidos cresceu 161,4% no primeiro semestre do ano, comparativamente com igual período de 2012, somando US$ 5,977 bilhões. Esse saldo negativo foi superior ao deficit registrado em todo o ano passado, da ordem de US$ 5,660 bilhões.

Com base nesses números, especialistas em comércio exterior não afastam a possibilidade de que este ano seja registrado um deficit histórico no intercâmbio com os Estados Unidos, superando a cifra de US$ 11,523 bilhões contabilizada em 2011.

Na opinião de José Augusto de Castro (presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, AEB), os números do comércio Brasil-Estados Unidos são fortemente impactados pela concentração das exportação brasileiras nas commodities, de baixo valor agregado, em detrimento dos produtos industrializados, como acontecia nos últimos anos: “até recentemente, de cada dez produtos vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos, sete eram produtos industrializados e apenas três commodities. Hoje, essa pauta se inverteu”.

Nesta quarta-feira (17), o presidente da AEB deverá divulgar as novas projeções para a balança comercial brasileira em 2013. A primeira estimativa, feita em dezembro do ano passado, apostava em um superávit de US$ 14 bilhões. Hoje há quem aposte que dificilmente a AEB divulgará uma expectativa de saldo superior a US$ 3 bilhões.

De janeiro a julho, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 11,472 bilhões (contra US$ 13.733 bilhões em igual período de 2012), enquanto as vendas americanas ao Brasil atingiram o montante de US$  17,450 bilhões (US$ 16,020 bilhões nos primeiros seis meses do ano passado).

Para esses números negativos muito contribuiu a forte redução nas exportações de petróleo para os Estados Unidos. De janeiro a junho, as exportações do produto somaram US$ 1,5 bilhão, contra US$ 3,7 bilhões vendidos em igual período de 2012, uma queda de 58%. Apenas a queda nas vendas de petróleo foi responsável por quase toda a retração de 16,5% nas exportações do Brasil para os Estados Unidos nos primeiros seis meses deste ano.

Para evitar que um novo deficit recorde seja estabelecido no comércio bilateral com os Estados Unidos, o Brasil terá que conseguir algo que no momento parece impossível: aumentar consideravelmente a exportação de produtos industrializados para o mercado americano.

Nos últimos anos o País vem perdendo espaço no maior mercado do planeta para produtos manufaturados da China e por isso mesmo há anos a participação brasileira entre os fornecedores de mercadorias para os Estados Unidos vem se mantendo estática em modestíssimo 0,9%.

Para alcançar um maior equilíbrio no comércio bilateral, o Brasil terá que fazer um grande esforço para voltar aos tempos em que o principais destaques nas exportações para os americanos eram produtos siderúrgicos, sucos de frutas, partes e peças de componentes e aviões, todos eles itens de alto valor agregado.

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