Brasil exporta 2,1% do PIB em serviços e ocupa 38º lugar em ranking mundial da OMC

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Da Redação

Brasília – O comércio mundial movimenta, em média, US$ 50 trilhões a cada ano, e cerca de um quarto desse total – aproximadamente US$ 22,5 trilhões – envolvem as transações de serviços, segundo dados de 2022 elaborados pela Organização Mundial de Comércio (OMC). Com exportações no total de US$ 39 bilhões, o Brasil ocupou a 38ª posição no ranking mundial do segmento, segundo a OMC.

A neoindustrialização lançada recentemente pelo governo federal e a transição energética podem oferecer às empresas brasileiras oportunidades para descarbonizar suas cadeias produtivas para sobreviver no mercado internacional e, consequentemente, aumentar a participação do país no comércio mundial de serviços.

Para Ana Paula Repezza, diretora de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), “a solução para descarbonização passa pelo setor de serviços, especialmente os serviços mais complexos e inteligentes, que permitem aos setores tradicionais ampliarem sua sustentabilidade”.

Os dados da OMC mostram que de todo o volume embarcado pelas empresas brasileiras para o exterior, apenas 12% são serviços. Países de grau de desenvolvimento semelhante ao do Brasil exportam muito mais. É o caso, por exemplo, da Austrália, que exporta 18% em serviços; Tailândia, 20%; Nova Zelândia e Filipinas (30%).

Exportação de serviços x PIB

Na correlação entre exportação de serviços e o Produto Interno Bruto (PIB), os números do Brasil são ainda mais modestos. Enquanto o país exporta o equivalente a 2,1% do PIB em serviços, a média mundial é de 7%. E nos países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), instituição junto à qual o Brasil está em processo avançado de acessão, esse percentual é de 8,2%.

Em posição inferior até mesmo em relação aos países da América Latina, nos quais a média de exportações de serviços é de 3,8% do PIB, o Brasil tem números absolutos ainda mais reveladores da modesta participação nesse importante segmento da economia mundial. Em 2022, as exportações brasileiras foram de US$ 39 bilhões, cifra bastante inferior às de países como a Itália (US$ 123 bilhões); Espanha (US$ 167 bilhões); Índia (US$ 240 bilhões); e França (US$ 336 bilhões).

Ainda de acordo com a OMC, os líderes mundiais nas exportações de serviços são os Estados Unidos (US$ 900 bilhões); Reino Unido (US$ 492 bilhões); China (US$ 442 bilhões); e Alemanha (US$ 406 bilhões).

A pouco expressiva participação brasileira no comércio mundial de serviços se deve, entre outros fatores, ao baixo investimento realizado em pesquisa e desenvolvimento. Como consequência, o país produz pouco e pouco tem a exportar. Além disso, precisa importar serviços pagando tributos elevados.

Jose Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), vê na baixa produção de patentes uma das causas pela baixa participação brasileira no comércio de serviços. Ele ressalta que em 2019 o mundo recebeu cerca de 3,1 milhões de registros de patentes, e o Brasil apenas 27 mil, ou 0,9% do total, o que mostra a distância que separa o país da realidade internacional.

Na opinião do executivo da AEB, se o Brasil não investir mais em pesquisa, o déficit comercial de serviços só tende a crescer: “para mudar essa realidade é preciso criar condições para gerar mais empregos qualificados e inserir o país no mundo moderno, para não perder o bonde do desenvolvimento do século 5G”, afirma.

Para o presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, o comércio de serviços tem enorme potencial de incrementar o crescimento da economia brasileira: “muitas operações na área de serviços envolvem também a comercialização de produtos conjuntamente aos serviços prestados”, diz.

Serviços e atração de investimentos

Segundo Ana Paula Repezza, diretora de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), “o setor de serviços é um dos mais atrativos para os investidores estrangeiros que buscam investir no Brasil, principalmente pela possibilidade de acoplagem desses serviços a outros segmentos que são tradicionais na economia brasileira e têm muita competitividade, como o agronegócio, mineração e petróleo e gás”.

A diretora da ApexBrasil vê na transição energética uma grande oportunidade para que as empresas brasileiras possam descarbonizar as suas cadeias produtivas para sobreviver no mercado internacional, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, cada vez mais comprometidos com a sustentabilidade.

“A desindustrialização sofrida pelo Brasil nas últimas décadas está na contramão de processos implementados nos países desenvolvidos, nos quais há uma maior preponderância de serviços tradicionais como agricultura e indústria, mas são serviços complexos e modernos. Nesses países, houve encolhimento da indústria, que foi substituída pelo crescimento de um serviço de alto valor agregado, totalmente intensivo em conhecimento, de base tecnológica que retroalimenta a indústria”, afirma a executiva.

Segundo Ana Paula Repezza, isso não foi o que ocorreu no Brasil e na América Latina, onde a redução do setor industrial não foi substituída proporcionalmente por serviços de alto valor agregado.
Para ela, “no Brasil, temos serviços menos complexos, que são importantes, mas têm uma capacidade exportadora inferior e agregam menos valor e por isso geram menos competitividade. O nosso desafio é recuperar a indústria ao mesmo tempo em que estimulamos o crescimento e o fortalecimento de serviços de alto valor agregado, como softwares, inteligência artificial, georreferenciamento e outros. E isso só pode ser feito de maneira coordenada com diferentes atores, das esferas pública e privada”, conclui.

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