Brasil deverá rejeitar pedido da UE para limitar as vendas de produtos agrícolas à Rússia

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Da Redação

Brasília –  O governo brasileiro ainda não recebeu uma comunicação formal da União Europeia (UE) na tentativa de dissuadir o Brasil de substituir as exportações de produtos agrícolas europeus para a Rússia devido às sanções comerciais decretadas pelo bloco àquele país.

Entretanto, segundo fontes oficiais, não existe a menor possibilidade de o Brasil vir a atender a um pedido dessa natureza, pois a solicitação “infringe as leis do comércio internacional e aos legítimos interesses do nosso país”, como afirma uma fonte governamental que pede para não ser identificada.

As sanções da UE, anunciadas mês passado, impõem pesadas restrições à venda para a Rússia de equipamentos para modernizar o setor petroleiro e proíbem a venda de máquinas, eletrônicos e outros produtos de uso civil e também militar. As medidas restringem também a exportação de alimentos, com carne bovina, suína, frutas, vegetais e produtos lácteos, entre outros.

Em termos oficiais, o Itamaraty reagiu de forma cautelosa à material publicada hoje (12) pelo jornal Valor Econômico anunciando que a União Europeia pretende conversar com países da América Latina, como Brasil e Chile com o objetivo de evitar que venham a ocupar o espaço criado no mercado russo pela ausência dos fornecedores europeus.

A justificativa da chancelaria brasileira para essa cautela é de que o governo brasileiro ainda não recebeu nenhuma manifestação formal da União Europeia sobre o tema e que, na ausência dessa comunicação, o Ministério prefere não raciocinar sobre hipóteses.

Nos bastidores dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e das Relações Exteriores, a informação que circula é de que uma eventual proposta europeia de limitação das exportações de produtos agrícolas para a Rússia não contará com o apoio do governo e muito menos do empresariado brasileiros.

De acordo com uma fonte diplomática, “tomamos conhecimento do assunto através do jornal e vamos aguardar pela evolução dos acontecimentos. De  toda forma, não haverá nenhuma reação Official enquanto não for encaminhada uma proposta formal ao governo brasileiro. Trata-se de uma questão de natureza comercial, ainda que funcionários da UE tenham sido citados pelo jornal afirmando que as conversações serão ‘ de caráter político’, visando formar uma frente unida internacional para os assuntos referentes à Ucrânia. Tudo ainda é muito nebuloso e vamos aguardar informações adicionais antes de qualquer pronunciamento”.

Aumento das exportações

 

Se vier mesmo a ser formulado, o pedido da União Europeia virá num momento em que o Brasil começa a aumentar de forma substancial as exportações de produtos agrícolas para a Rússia. O tema foi um dos assuntos centrais na visita ao Brasil do presidente russo, Vladimir Putin, que veio a Brasília após a Cúpula dos BRICS, no mês de julho. Em conversa com o líder russo, a presidente Dilma Rousseff obteve de Putin a promessa de que  Moscou daria impulso ao processo de habilitação dos frigoríficos brasileiros para a exportação de carne bovina, suína e também de frangos para a Rússia. Recentemente, o serviço sanitário russo anunciou a autorização para que cerca de 90 desses estabelecimentos passassem a exportar seus produtos para o país.

Esta semana o Ministerio do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou os dados da balança comercial do mês de julho e os números indicam que no mês passado o Brasil exportou US$ 692 milhões em carne bovina. Desse total, US$ 181 milhões tiveram a Rússia como destino final, um aumento de 113% sobre as exportações realizadas no mês de julho do ano passado.  Essas exportações corresponderaqm a 26,2% da receita e 30,8% do volume total de carne bovina vendidos pelo Brasil no mercado externo em julho.

A liberação de novas unidades para exportar carnes também se traduzirá em aumento nas vendas de carne suína para os russos. Sete novas plantas foram habilitadas e segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a autorização será fundamental para que as exportações para a Rússia cresçam e com isso contribuirá para que as exportações atinjam a meta de 600 mil toneladas de carne suína a serem embarcadas este ano. A expectativa da ABPA é de que a decisão dos russos fará com que o volume mensal das vendas tenha um forte aumento nos últimos cinco meses do ano, de forma a se chegar à meta estabelecida pela entidade.

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